O Parque e as Exposições
8/9/2015, 10:4h |
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Entre os eventos do calendário oficial da cidade, está a Expofeira, realizada anualmente no parque João Martins. Ela acontece tradicionalmente em setembro, mas foi realizada pela primeira vez no mês de fevereiro, no ano de 1967, porque naquele mês e ano, a Feira de Santana ganhou seu parque de exposições.
Para a inauguração do parque, além do ritual de praxe - a benção do padre, a fita cortada, a placa descerrada e os discursos, foi incluída na programação uma exposição de animais para dar maior dimensão ao ato.
Dotar a cidade de um local capaz de atrair pecuaristas, expositores e homens de negócios da região, do estado e do país, foi uma idéia conjunta da então Associação Rural de Feira, da Prefeitura Municipal e dos pecuaristas locais em geral.
Ainda não existia o Anel de Contorno, mas como a cidade já se expandia às margens da rodovia Feira-Salvador, optou-se por um terreno nas suas imediações. Dono de uma fazenda nas proximidades, o pecuarista João Martins da Silva, de tradicional família feirense, doou parte do terreno para que nele o parque fosse edificado.
Dessa forma, às margens da BR/324, onde já estava o majestoso Clube de Campo Cajueiro e mais adiante o chamado Núcleo Piloto do Centro Industrial do Subaé com várias unidades começando a se juntar a Indústria Incoveg, surgia o Parque de Exposições, também como mais uma vitrine da Feira de Santana para tantos quantos trafegavam pela movimentada rodovia.
Para erguer o parque coube aos homens de negócios a doação do material necessário, ficando com a prefeitura a tarefa de pagar a mão de obra. E para acompanhar os trabalhos criou-se uma comissão formada entre outros, pelos pecuaristas Gil Marques Porto, Vicente Leite e Francisco Moreira Teixeira, mais conhecido como Teixeirinha.
Além de currais, boxes, baias, banheiras e outros espaços indispensáveis para o seu funcionamento, foram construídos amplos e modernos pavilhões. O parque ganhou o nome do pecuarista João Martins da Silva, doador do terreno, e os pavilhões foram batizados homenageando pecuaristas que contribuíram com material de construção.
Para a grande festa da nossa pecuária, a esta cidade vieram inúmeras autoridades, entre elas o governador Lomanto Junior que ao lado do prefeito Joselito Falcão de Amorim, presidiu a inauguração do parque e o ato de abertura da primeira Feira de Animais, hoje Expofeira.
A Feira aconteceu de 19 a 26 de fevereiro tendo à frente da comissão organizadora o secretário de Agricultura do município, o engº agrônomo Antonio Freitas Costa, o presidente da Associação Rural, Gil Marques Porto e mais Clovis Camalier, Ardson Joel Leal, Vicente Leite e Silvio Marback.
Entre os expositores pioneiros, além dos nomes já citados, vale lembrar Carlos Artur Bahia, Waldir Pitombo, Nestor Duarte, João Mendes da Costa Filho, Francisco Maia e outros, sem falar dos expositores da região.
De Feira e outras cidades, entre os que exibiram bovinos na primeira exposição, estavam Coriolano Carvalho, Armando Lacerda, Nicolau Calmon, Simeão Machado, Décio Carvalho, Martinho Menezes, Francisco Maia e Pedro Calmon.
Já entre os expositores de eqüinos, da cidade e da região, destaque para Servilho Carneiro, Haroldo Lima, Higino Carneiro, Aristóteles Carvalho, Edmundo Queiroz, Gerval Peixoto, Rocha Pires, Edmundo Oliveira, Manuel Firmino Lopes e tantos.
Além da exposição com compra, venda e troca de animais, também na primeira Expofeira, há quase meio século, foi intenso o comercio de máquinas agrícolas, pequenas ferramentas empregadas na lavoura e peças de couros para uso dos pecuaristas e fazendeiros.
Nos anos 70 as exposições agropecuárias realizadas no parque feirense já alcançavam dimensão nacional. A cada festa de abertura, além de dirigentes de instituições financeiras como BB, CEF, BNB, os extintos BANEB e DESENBANCO e outras personalidades e instituições, era comum até a presença de ministros da república.
Face ao sucesso cada vez maior, atraindo inclusive expositores internacionais, naquela década a cidade reivindicou do governador ACM, transformar o espaço feirense no Parque Estadual da Bahia, mas o pedido não foi atendido. No governo seguinte, novo movimento pela estadualização do parque, outra vez sem sucesso. Pior, o governador Roberto Santos, construiu em Salvador o Parque Estadual de Exposições.
Mesmo com o parque estadual na capital como mais de uma feira por ano e outros eventos, a cada exposição nesta cidade, aumentava a presença de expositores e de bancos oficiais e particulares com postos instalados financiando os negócios.
Por isso, a partir de Joselito Amorim, em cuja gestão o parque foi inaugurado, até o atual José Ronaldo, todos os prefeitos promoveram melhorias e ampliações, motivados pelo crescimento das nossas exposições.
Por terem se revezado no poder por duas décadas, os prefeitos José Falcão e Colbert Martins deixaram marcas maiores. Tanto assim que em 1999, por iniciativa do vereador Ildes Ferreira, a câmara aprovou uma lei dando o nome dos dois prefeitos as principais vias do parque, homenagem que se estendeu também a entidades e associações envolvidas com as exposições.
Ontem e hoje, além dos resultados positivos para a economia da cidade, tempo de exposição é também tempo de alegria e muita festa para a gente feirense. No passado, a alegria dos jovens casais saboreando a maçã do amor. No presente, a festa musical reunindo jovens e adultos que vibram com as atrações artísticas que se apresentam no palco armado. (Adilson Simas)








